quarta-feira, 15 de julho de 2009

"Não podemos adiar o coração"

Meio ano depois de "Nº1: Sessão de Cezimbra", eis "Muda Que Muda", o excelente segundo disco de João Coração. O mais idiossincrático baladeiro da nação transformou-se no rei das canções para beira de piscina de "resort" de férias e a mudança é de monta: onde antes havia canções de Inverno, melancólicas e cheias de angústia e charme, agora há canções de Verão, melancólicas e cheias de alegria angustiada. Na altura chamámos-lhe "vagabundo romântico em pantufas"; agora ele parece um sedutor existencialista em chinelas. O Gainsbourg de Sesimbra. O Hank Williams dos letrados. O futuro vencedor do Festival da Canção.
Mas mesmo entre os amigos de Coração há quem o defenda ferreamente e quem não o aprecie. (in Ípsilon)


João Coração, para quem não conhece, é um dos músicos/artistas/compositores/folquepunquerockers (nunca sei o que lhes chamar) da Flor Caveira.
O artigo no Ípsilon merece leitura integral,não só porque está muitíssimo bem escrito, mas também porque, parece-me, está fiel ao Coração e ao novo disco, Muda que Muda. Já o vi e ouvi no Maxime. E ainda bem. Ler tudo aqui!

a.

sábado, 11 de julho de 2009

recorrências VI







noutro dia dedico um post exclusivamente ao grande stephen malkmus...

x.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

road trip music and momentary mental deviations...

fui à galiza. foi uma espécie de 24 horas num lugar perdido da região autónoma espanhola. o plano de viagem era simples e o objectivo claro, mas nobre, acompanhar o meu pai na sua deslocação a guitiriz, pequena e insignificante localidade a 30 km de lugo. atenção tendo em conta que era meu pai não houve garrafas de vinho tinto engolidas à velocidade dos rápidos do rio minho, nem imigrantes ilegais transportados na mala junto a uns galináceos, também eles muito suspeitos, nem foragidos hippies em claríssimo devaneio sexual e tão pouco um rastafari pregando jah na ponta de um charro enquanto exalta a paz e a liberdade dos escravos em suaves ritmos reggae. pelo contrário, houve condução suave, mas objectiva, e um nível de conversa interessante a focar os principais temas da actualidade como a construção de uma nova praça de touros em são bento, a necessidade de criar o partido da abstenção e o regresso aos manifestos, dos quais fui um preconizador no fim dos anos 90.

A companhia extra num clio comercial do ano blah, como em quase qualquer outro carro de gama baixa alugado e que não traz uma miúda gira como prémio de consolação, é a rádio. ora entrar em espanha é entrar num universo quase paralelo da radiofonia. os rigorosos critérios de qualidade são: ritmos latinos, um jogo de ancas aceitável e 20 lugares comuns em cada canção. assim não só garantes a tua presença nas mais tocadas do ano, como ainda te habilitas a ser el próximo éxito de verano. a outra possibilidade é seres um clássico dos 80 como este ¿qué hace una chica como tu en un sítio como este? claramente a pergunta a fazer à miúda gira, se esta fosse disponibilizada como extra pelo serviço de rent a car.


os burning são um dos grupos que marcaram a movida madrilena nos anos 80, década em que a capital espanhola experimentou uma revolução cultural e artística impressionante e que marcará a transição do regime franquista para a democracia. hombres g (como os beatles este grupo protagonizou diversos filmes) radio futura, tequila, nacha pop, los secretos, a sempre extravagante e ícone gay alaska y los pegamoides, o magnífico escritor joaquín sabina (embora a sua voz de cocainómano e bêbado seja muito melhor que a voz da juventude), golpes bajos, gabinete caligari, e os emblemáticos mecano (a história do grupo foi refeita num musical que é um êxito de bilheteira) são alguns dos nomes que saíram deste movimento e perduram na memória dos espanhóis. no cinema, pedro almodóvar é incontornável mas também lá estão fernando trueba ou fernando colomo. os anos 90 seriam de abrandamento e da afirmação de barcelona como capital cultural espanhola. os anos 2000 (como referir esta década?), na minha opinião, tem sido o regresso de madrid como centro cultural e artístico do país num contexto claro de descentralização e de uma diversidade de oferta nas diferentes regiões autónomas muito forte.

sim, tenho uma capacidade inaudita de me desviar dos objectivos. a rádio espanhola tem, no entanto, uma espécie de objecto não identificado que habita as ondas hertzianas. é a rne 3, uma das, pelo menos 5, rádios nacionais. um dia num outro carro alugado e numa outra viagem por espanha, a rádio 3, conhecedora e orientadora maior de tudo o que é intelectualmente superior, entrevista uma artista sobre a sua obra e qual é o meu espanto quando decide transmiti-la (a obra) em directo. ora falávamos de vídeo instalações. desta vez a coisa não me parece tão soberbamente pretensiosa, ao contrário é apenas curiosa. ficou marcado como outro momento musical desta viagem. a música do taiwanês lin cheng xiang.


finalmente de regresso a portugal o aparelho de rádio, que de 20 em 20 minutos decidia, soberanamente, desligar-se, readquire a capacidade de sintonizar as estações nacionais. e embora muito me agrade saber que a política em espanha em nada difere da portuguesa e que o cristiano ronaldo vende 15 t-shirts por minuto, confesso que é com rejubilo que recebo a notícia da vontade do cds-pp e do seu líder voltar à carga na história da supervisão, do bpn e de ainda juntar à festa o bpp. a, amigo, proponho um manifesto… é, portanto, na tsf, que depois de escutar a playlist de hélder moutinho, marcada pelas músicas do mundo (do que haveria de ser? músicas da galáxia? músicas do meteorito em rota de colisão com a terra? músicas do universo imaginário do interior da narina esquerda do carlos paião?) e já muito perto de casa que oiço esta canção da lisa ekdahl.


caso para perguntar: ¿qué hace una chica como tu en un sítio como este (post)?

x.

ps.: no futuro algumas das referências musicais usadas serão postadas...


Promessa cumprida

Comecei mesmo a ouvir Stone Temple Pilots.




a.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Num trapézio andamos todos

Esta vai para a categoria de músicas com significado, que ganham terreno, que nos tomam por inteiros, que, no final, nos tiram o equilíbrio, mas nunca nos deixam cair.


a.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

monsters inc...

um vídeo não oficial com mais de 12 milhões de visitas. utilização indevida em comícios do UMP, o partido do presidente da república francês nicolas sarkozy que valeu aos MGMT uma indemnização simpática de 30 mil euros.... a canção KIDS do álbum orcular spectacular tem finalmente um vídeo oficial.



ah os 30 mil euros foram doados a uma associação de defesa de artistas...

x.

ps.: há muito que postar... muitíssimo. assim que tiver as condições óptimas começo...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

estes moços tocam belas canções!



como já havia feito no passado quando algo de semelhante aconteceu 
a alguém do mesmo foro de importância, vou novamente dedicar um tema 
- de uma outra das minhas bandas de sempre - a uma nova etapa de um 
fulano que já se via que queria mais qualquer coisita do que ver séries com a 
malta, levar cabazadas do barça e sentar-se com a gente para falar de tudo e outros assuntos. :)

boa fortuna a vós*

"she lives by the wall / and waits by the door / she walks in the sun to me"

sinceramente,
r.

recorrências # ?



lembrada hoje por uma mão invísivel mas muito querida deste blog...

x.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

who's bad?

no verão de 1982 aterrei em madison… na realidade aterrei no aeroporto internacional de Chicago e daí parti para madison, capital do vizinho estado de wisconsin. eu tinha pouco mais de dois anos. os dados começam a ganhar relevância para este post apenas uns meses mais tarde. em novembro de 1982 michael jackson lançou aquele que é o disco mais vendido da história da música, thriller


é este disco que marca o princípio da minha vida e por conseguinte é ele a minha primeira referência musical. é por isso que não posso deixar passar a morte daquele que foi o meu primeiro ídolo com apenas uma data e um vídeo. conta a minha mãe que um dia entrei de rompante pela casa dentro com uma caixa de cartão desfeita e muito sério disse: breakdance.

lembro-me ainda de um dia ficar a dormir em casa do meu amigo hondurenho, o carlitos… ambos de 3 anos. de noite, quando as luzes se apagaram, os dois nos nossos colchões cantávamos e dançávamos beat it. se alguma vez se preguntaram onde é que eu fui buscar o gosto por estar acordado até tão tarde e de dançar… aqui pode estar um resposta.


Ah o pequeno almoço foram doughnouts em frente da televisão a ver o he-man… i did have the power!


depois disso afastei-me do rei da pop e da sua música. a mudança de cor, a estranha casa/parque infantil e as muito estranhas aproximações a menores de idade que lhe valeram diversas acusações de pedofilia e que o arruinaram financeiramente, são o lado escuro de um homem que terá tido um crescimento muito díficil marcado pela pressão da motown e do pai durante a fase dos jackson 5.

agora que michael jackson nos deixou grandes músicas… ai isso deixou e dançá-las será sempre um grande prazer. agora já sem a destreza nem os passos dos 3 anos…
x.

Michael Jackson (1958 - 2009)


Guess he's cloudwalking now...
a.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Guilty pleasures (I)

Estava eu nas lides matinais, ainda antes do banho, quando me lembrei de ligar a televisão num daqueles canais de música que a Tv Cabo oferece e que, na maioria das vezes, só tem cocó. Verifiquei que estavam a fazer uma espécie de homenagem ao George Michael e dei por mim a bater com o pézinho ao ritmo da música. Fiquei preocupado, porque estava de boxers e o George estava a olhar directamente para mim (juro!), mas rendi-me a este simples facto: gosto da música do rapaz.

Queria ainda aproveitar para reafirmar e sublinhar a negrito toda a extensão da minha potentíssima heterossexualidade.

De maneiras que era isto.
Obrigado.





P.S. - Companheiros, coloquei aquele (I) porque parece-me que Guilty Pleasures não será apenas o título deste post, mas o nome de uma vastíssima playlist que será enriquecida ao longo dos anos vindouros. Aproveitem a dica, lembrem-se das noites dos Santos e postem aqui todos aqueles êxitos que tão alegremente cantámos ao nascer do sol.


a.

O coração do João mudou

Estava a dever um post ao blog.
Falta de tempo e problemas de memória.
Estive no Maxime, no último concerto do João Coração, que mudou que mudou e trouxe guitarra, bateria, clarinete, teclas, banjo... uma mistura de instrumentos que trouxe um som regenerador ao homem da Flor Caveira que gosta de guardar o melhor pro fim.

Houve uma cover dos Beatles, houve uma tentativa de kizomba ("somos demasiado brancos!"), mas o que gostei mesmo de ouvir foi a música nova do Muda que Muda. Gosto mais.

Ah, o design do disco é do nosso r.!
(Podias anexar aqui uma foto...
Este momento foi da minha exclusiva responsabilidade.)


a.

como o arnaldo sabiamente o afirmou "i'll be back"

ora,
cá regresso após dois meses e qualquer coisita.

na verdade não é que tenha nada a querer partilhar. isto é só mesmo para provar aqui aos outros dois subaquáticos que a promessa que lhes fiz foi mesmo com a mão direita sobre o coração.
é que durante uns tempos armei-me em gajo que já passou à uns tempos os 18 e achei que tudo o que faria a partir dali tinha de ser à adulto, sempre com uma finalidade responsável, empreendedora, sempre num registo "plano poupança reforma". consciente dos meus novos destinos mando-me para lisboa e vou jogar playstation para casa do a. enquanto o x. fazia umas brutais panquecas que se comeu com doce de abóbora, e apercebo-me que isto de ser adulto é mas é pa meninos. cena de gajo é dar coça no a. com o barça, dançar com estranhas nos santos, comer as panquecas (salvo seja) do x. e ter um blog de música e receitas com os amigos.

ora,
cá estou eu após dois meses e qualquer coisita.

r.

bom,
não é verdade que me vá embora sem deixar uma prenda à porta.
cá está o que peço sempre ao dj quando estou já naquela fase de quem bebe cerveja como a coisa mais doce, numa disco indie meia underground onde o rock é o que mexe o corpo.


segunda-feira, 22 de junho de 2009

Grizzly Bear - Veckatimest (2009)


Difícil é escolher uma música para colocar aqui.
Sendo assim, escolho duas, mas consciente de que deixo de lado 10 muito, muito boas e que devia ser espancado por causa disso.
Não estarei a abusar se disser que estamos, muito provavelmente, perante um dos discos do ano.



a.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

what can i say...



Forgetful heart, like a walking shadow in my brain
All night long I lay awake and listen to the sound of pain
The door has closed forever more
If indeed there ever was a door

forgetful heart, together through life, bob dylan 2009
x.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O regresso...

... com Manuel Cruz.



Então vamos lá fazer aquela coisa do "voltar a escrever no blog", sim?
a.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

segunda-feira, 13 de abril de 2009

great tunes and a girl on the bass

não,
não é (só) pela baixista. não é pela semelhança imediata dos saudosos bons tempos dos Pixies, Sonic Youth ou Smashing - se bem que o rock mais agressivo também não tem ficado mal ao Corgan - não é pelo bom ar do video clip, não é por nada especial,

mas é pela boa nova que têm sido estes Silversun. há muito, muito mesmo, que não me sentia tão bem com o indie/alternative rock e esta malta veio mostrar que não há alturas certas para se praticar bem qualquer género musical. a boa música encontra sempre quem lhe dê a devida atenção, independetemente do ano.
concordo que se em vez de terem formado, ou melhor lançado o seu debut Pikul em 2005, o tivessem feito dentro da onda dos 90's a coisa estava já no patamar dos clubes de fãs, tour mundial e t shirts e crachás na fnac. mas assim sendo, comercialmente, a coisa fica, de facto, fora de época. é a unica desvantagem. 
portanto,
a fnac não quer saber mas o rock agradece. e eu, se fosse o rock, agradecia em carta personalizada. 

por mim, fica um sincero
thank you boys! keep on rocking and making me have fun!

r.


e em respeito à tradição dos unpluggeds, fica a versão acústica

 

quinta-feira, 2 de abril de 2009

How's this for a birthday present?

Parabéns, x.
Se tiveres uma caixa mesmo muito grande no correio é ela.


a.